Em artigo escrito para o site Linux.com, Jeremy LaCroix comentou a expressão utilizada por algumas críticas quando o assunto envolvido são distribuições GNU/Linux. Acredito que o ponto de vista dele é bastante coerente quando discorre sobre o que faz um sistema operacional estar ” pronto para o desktop ” e sobre quais sistemas realmente podem dizer que se classificam como tal.
Jeremy é um técnico em informática e expôs sua opinião, formada com base na experiência obtida por meio de seu trabalho e relacionamentos, para tentar encontrar um sistema operacional que pudesse receber a designação. Para a surpresa de muitos(as), não houve um único que pudesse ostentar esse título, fosse ele livre ou proprietário.
Segundo a opinião de Jeremy, com a qual concordo, um sistema operacional para ser considerado pronto para o desktop deve ser um ” SO que todos(as) possam usar, atenda às necessidades de todos(as) e que seja capaz de fazer tudo aquilo que qualquer um(a) queira que ele faça”. E ainda pergunta: ” Levando isso em consideração, há algum sistema operacional realmente pronto para o desktop? ” Eu, assim com ele, acredito que não.
O que ocorre com ele em seu trabalho diário é o mesmo que ocorre a muitos(as) de nós todos os dias. Amigos(as), parentes, clientes, entre outros(as), sempre nos procuram para tirar pequenas dúvidas sobre procedimentos para realizar algo em seus computadores, ou sobre como operar determinado software que aparentemente não funciona corretamente. Justamente por saberem termos mais experiência que eles(as) sobre o assunto. E na maioria dos casos, o sistema operacional instalado na máquina trazida por eles(as) é o Windows XP.
Para muitos(as) ele é um bom sistema operacional, isso é facilmente verificavél através de sua base instalada nos dias atuais. Porém quando o comparam, como é feito por muitas revistas e jornalistas do setor, com as distribuições GNU/Linux lançadas não estão tendo como base um sistema que atenda ao quesito de ” pronto para o desktop “, e portanto a comparação fica um tanto quanto vazia. Afinal se o Windows, seja em que versão for, está pronto para o(a) usuário(a) doméstico(a), por que há tantos(as) que ainda sentem dificuldade em instalar e configurar determinado hardware, ou utilizar determinada ferramenta para que esta atenda às necessidades deste(a) usuário(a)?
Assim como afirma Jeremy, eu acredito que cada um de nós tem a sua maneira de fazer as coisas, como também diferentes necessidades com relação a como um sistema operacional deve se comportar para que as tarefas que precisamos realizar sejam efetivadas sem maiores transtornos. Portanto, um sistema operacional pode ser ótimo para o meu uso em particular e não o ser para aquilo que você pretende que ele faça. Também uso um GNU/Linux pois ele faz tudo o que preciso que ele faça, e gosto de como essas coisas são feitas nele, mas nem todos(as) concordam com a minha opinião e a do Jeremy.
Por isso é que ao final de sua análise, ele afirma que ” as distribuições GNU/Linux precisam continuar seus avanços a passos largos na questão da usabilidade, afim de obter uma fatia maior de usuários(as), assim como um foco em fazer os jogos para Windows ser executados, e menor necessidade de linha de comando. Como está agora, o Linux é uma opção viável para o desktop. Enquanto não é para todos(as), Mac OS e Windows também não são para determinadas pessoas”.
Também acredito que a expressão ” pronto para o desktop ” deva ser aposentada pois não há um sistema operacional que esteja e nem nunca existirá. Muitos perderiam seus empregos se algum estivesse, pois para isso ele teria de ser perfeito. E como as pessoas tem visões e necessidades diferentes com relação a essa perfeição, dificilmente haverá um que atenda a todas elas.
Portanto devemos seguir a sugestão de Jeremy e não perguntar se um sistema está ” pronto para o desktop “, mas sim: ” Ele está pronto para o meu desktop? “















