No dia 16 de janeiro, sexta-feira, estava assistindo ao Jornal do SBT quando minha total atenção foi chamada para uma matéria que falava a respeito de infecções virais em sistemas computacionais. Como estou cursando Segurança da Informação não poderia deixar de acompanhar o caso.
A matéria tratava de um novo vírus que rapidamente havia se alastrado e infectado vários computadores. Como alvo da entrevista foi apresentado um casal, cujas máquinas domésticas haviam todas sido infectadas pelo tal vírus, que se espalhava através de e-mails. Até aí nada de novo, afinal um vírus tem exatamente estas características, sendo o e-mail a sua principal forma de propagação atualmente. Mas duas coisas na reportagem me deixaram abismado.
Primeiramente o diagnóstico, realizado por “especialista em segurança” convidado, da causa da infeccção das máquinas, que verificou que apesar de os computadores disporem de software antivirus instalado, o mesmo não estava com a base de vacinas atualizada, fato comum entre vários(as) usuários(as) de sistemas espalhados ao redor do mundo, mas não em uma casa onde a profissão da entrevistada é a de Analista de Sistemas.
Em seguida, após a verificação da causa da infeccção, o referido “especialista em segurança” disse que a “única” forma de se evitar que algo assim aconteça é através da utilização de software antivirus atualizado. Para aqueles(as) usuários(as) leigos(as) em computação que assistiram à reportagem, fica a máxima de que se estamos com software antivirus instalado, e este está atualizado, então estão protegidos de ataques virais. O que é uma inverdade.
Mesmo sabendo das excelentes opções de softwares antivirus disponíveis no mercado, também sabemos que a cada dia são criados milhares de novos tipos de vírus e variantes, sendo assim impossível para um software com apenas uma atualização diária, possibilitar a segurança de sistemas computacionais contra ataques virais. Além disso, a maioria esmagadora dos vírus existentes no mercado são criados para afetar a sistemas proprietários, aproveitando-se de falhas na estrutura de diretórios e de segurança nestes sistemas para se propagarem, o que raramente poderia ter acontecido caso o casal entrevistado utilizasse um GNU/Linux.
Um vírus criado para Windows, sistema operacional utilizado pelos entrevistados em todas as máquinas mostradas na reportagem, ficaria completamente perdido em meio à estrutura de diretórios de um GNU/Linux, e mesmo que viesse a ser executado intencionalmente por um(a) usuário(a) comum, não haveria como este se propagar pelo resto do sistema e infectar aos outros computadores da rede, sem que fosse barrado pelo sistema, sendo barrado pelas permissões de escrita e execução do mesmo. Portanto dizer que a “única” forma de se proteger de um ataque de vírus, é através da instalação e constante atualização de um antivírus, só pode ter vindo de alguém que precisa rever os seus conceitos sobre segurança computacional e abrir os seus horizontes para outros tipos de sistemas operacionais que não sejam proprietários.