Um computador por aluno. Ótimo, mas como seu uso é controlado?

Classmate

Em reportagem recente o Correio Braziliense, jornal do qual sou assinante aqui no Distrito Federal, foi destacada a primeira cidade no mundo a cumprir com o projeto do governo, que teve sua implantação no Brasil idealizada pelo presidente Lula, que pretende colocar nas mãos de cada aluno um computador do tipo netbook. Essa cidade no interior do Rio de Janeiro se chama Piraí e possuirá, a partir de agosto, um Classmate da Intel para cada um dos seus seis mil e duzentos alunos da rede pública. Esta notícia é motivo de orgulho para nós brasileiros, já que outras cidades e países tem projetos semelhantes em andamento mas não em fase tão adiantada como em Piraí que já comprou os equipamentos, mas também me fez buscar mais informações sobre o projeto para saber como seu uso é controlado.

Os alunos ficam de posse de seus netbooks durante as aulas, onde os professores podem utilizar de seus recursos para enriquecer o aprendizado das crianças com os softwares educacionais disponíveis nos equipamentos, ou através do acesso a internet. A cidade de Piraí é toda coberta por banda larga gratuita via wireless, portanto é fácil para os alunos realizar buscas sobre os conteúdos ministrados. Mas daí me veio à mente: ” Como esse acesso é controlado? Como é feita a gestão do conteúdo a que estas crianças tem acesso? Como os professores conseguem ministrar suas aulas sem que os alunos se distraiam com a tentação de acesso a jogos ou outros conteúdos diferentes dos que estão sendo ministrados? Como é evitado o contato das crianças com conteúdos proibitivos? ” A resposta me foi mostrada através de uma análise sobre o Classmate realizada pelo Guia do Hardware.

Na análise, bem detalhada tanto na parte de hardware quanto de software portanto recomendo a todos que tenham interesse sobre este tipo de equipamento, foram relacionados alguns dos softwares e recursos que são disponibilizados pelo netbook para a gestão do conteúdo acessado pelos alunos. Os principais para esta finalidade são o e-Learning Class e o Parents Carefree.

Classmate1

Com o e-Learning Class os professores podem interagir com os alunos através de uma rede criada entre seus equipamentos. Com ela eles podem enviar arquivos para os alunos contendo apostilas ou atividades por exemplo, conversar com eles através de um sistema de chat, além de poder monitorar as atividades deles com uma função de controle-remoto similar ao VNC, onde o professor pode ver a tela do aluno, assuma o controle das máquinas dos alunos ou mesmo as desative para que possa ministrar sua aula.

Já com o Parents Carefree pode-se controlar efetivamente o que os alunos acessam na internet, pois ele funciona como um filtro de conteúdo que permite limitar este acesso através de listas proibitivas ou permissivas de conteúdo. Pode-se administrá-lo como a um proxy local onde se configuram as “blacklists” ou  “whitelists” de palavras ou sites pelos quais os alunos poderão ou não realizar buscas na grande rede. Assim consegue-se diminuir a dispersão de atenção dos alunos ao mesmo tempo em que garante que estes ficarão mais protegidos dos perigos que determinadas áreas da internet podem oferecer, como pornografia, violência, entre outros tópicos polêmicos. Estes detalhes me deixaram muito aliviado, pois qualquer um que seja pai se preocupa com o tipo de informação que seus filhos tem contato quando estão on-line, e estes recursos são boas ferramentas para este controle já que o público alvo do Classmate são crianças na faixa de sete a dez anos de idade.

Aliada a estas duas ferramentas, estes equipamentos ainda trazem uma terceira que também é relacionada com a segurança física do objeto que é o Theft Control Center. Esta ferramenta é um sistema anti-furto baseado em certificados digitais que são distribuídos via internet. Para que o equipamento continue funcionando é necessário que o usuário conecte-se periodicamente à grande rede para a renovação destes certificados. Caso o prazo para a renovação expire, ou o equipamento seja encontrado na lista de equipamentos perdidos ou furtados, seu certificado digital não será atualizado e não mais será permitida a inicialização do mesmo sem que antes seja digitada a senha correta para a continuidade do processo, ficando bloqueado. Isso também garante que o interesse no furto destes equipamentos seja diminuído dada a dificuldade da manutenção da posse do equipamento em estado funcional após sua obtenção ilícita.

Todas essas informações me deixaram mais tranquilos com relação às ferramentas de controle e segurança implantadas pelos idealizadores do equipamento, isso possibilitará um maior monitoramento e gerenciamento do conteúdo acessado pelas crianças ao mesmo tempo em que garante que a finalidade do equipamento seja mantida. Porém ainda restam algumas dúvidas.

Resta saber se os professores ou responsáveis por estes alunos receberão o devido treinamento sobre como configurar estas ferramentas de forma a melhorar os filtros implantados, ou se tudo ficará “amarrado” a uma filtragem padrão provida pelos fornecedores destes softwares. Além disso não encontrei informações sobre outras formas de proteção como soluções em anti-vírus, sistemas de detecção e prevenção de intrusões, firewall’s, entre outras. A ausência deles deixa estas máquinas expostas às vulnerabilidades de seus sistemas operacionais, Windows ou GNU/Linux, e de seus aplicativos adicionais, visto que constantemente estes equipamentos devem ser conectados a internet para a atualização de seus certificados digitais, e também para a realização de pesquisas e trabalhos escolares. Mesmo com o controle oferecido pelas ferramentas citadas não há como garantir que o uso normal do equipamento não venha a trazer malwares para estas máquinas, através de e-mail’s por exemplo. Isso por si só já coloca em risco toda uma turma ou mesmo escola, já que uma só máquina contaminada pode vir a contaminar todas as máquinas na rede em que ela for conectada, tranformando-as em máquinas escravas para a execução de crimes digitais ou mesmo em fontes de monitoramento para a captura de informações pessoais ou difusão de spam.

Espero que os idealizadores destes projetos disponibilizem flexibilidade e acompanhamento suficientes para permitir a melhoria desta proteção, bem como que os governantes não se atenham simplesmente ao processo de aquisição destes equipamentos, esquecendo-se da qualificação necessária aos educadores quanto a tecnologia. Cobrindo estas áreas deficientes, tanto em treinamento  de professores quanto na melhoria da proteção à integridade da segurança da informação nestes equipamentos, poderemos considerar que o programa estará completo, garantindo assim uma melhor segurança física e psicológica às crianças que participarão destes projetos em todo o mundo.

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