Tails 1.3 lançada! Fevereiro, 2015.

Tails

Uma nova versão da distribuição GNU/Linux desenhada para a navegação anônima na Internet, através da rede Tor, foi disponibilizada. A Tails, acrônimo para The Amnesic Incognito Live System, é baseada na versão estável da distribuição Debian, e já pode ser baixada em sua versão 1.3. Ela nos traz correções para diversas vulnerabilidades de segurança, portanto é recomendável que todos os usuários da distribuição façam a atualização o quanto antes.

Encontramos ainda novas funcionalidades, como a “carteira” para Bitcoins, de fácil utilização, e que atende pelo nome de Electrum, além de melhorias quanto a segurança do sistema operacional como um todo, e dos dados manipulados, que implementa a limitação quanto ao número de pastas que podem ser lidas ou ter permissão de escrita.

O obfs4 atua ofuscando as conexões realizadas nas bridges Tor, e transforma o tráfego entre o cliente e essas bridges, dificultando a verificação e disfarçando estes dados. Já o Keyringer permite o gerenciamento e o compartilhamento seguro de dados sigilosos através da utilização do OpenPGP e do Git a partir da linha de comando.

Para mais detalhes a respeito desta nova versão, acesse o anúncio oficial de lançamento, na página do projeto.

Forças armadas do Reino Unido criarão brigada para atuação em guerra digital

Cyberwar

As forças armadas do Reino Unido estão criando uma brigada para atuar em guerras cibernéticas, especificamente através de mídias socias como o Facebook ou Twitter. A 77th Brigade ( Septuagésima Sétima Brigada ) será formada por um contingente estimado em 1.500 soldados, tanto da reserva quanto atualmente prestando serviço militar, e deve ser formalizada até o mês de abril deste ano.

Um porta-voz das forças armadas disse que “a 77th Brigade está sendo criada para abrigar as capacidades essenciais, atualmente existentes ou sendo desenvolvidas, equivalentes ao desafio de conflitos modernos e da guerra. Ela reconhece que as ações de outros, em um campo de batalha moderno, podem ser afetadas de um forma não necessariamente violenta”.

Os soldados destacados para esta tarefa terão habilidades em operações psicológicas, jornalismo e no uso de redes sociais, e terão como objetivo atuar no controle reflexivo de informações disseminadas, divulgar fatos verídicos de guerra, ou desinformação, esta última com a finalidade de direcionar adversários a agirem da forma que esperam.

Para mais informações a respeito da nova brigada, acesse o artigo original, publicado pelo jornal The Guardian.

Slackware Linux e… o gerenciamento de pacotes – parte 2

Slackware logo

Continuando o primeiro artigo da série “Slackware Linux e…”, que trata sobre o gerenciamento de pacotes, iniciamos agora a segunda parte, onde veremos mais uma ferramenta para gerenciar a instalação ou atualização de pacotes, ou mesmo podendo atualizar toda a distribuição para uma nova versão, e que também está disponível por padrão na Slackware Linux.  Esta ferramenta é chamada de slackpkg e, para quem não sabe, além de ter sido idealizada, também é mantida por um brasileiro, que atende pelo apelido de Piter Punk.

Piter é um dos diversos profissionais que atuam, há bastante tempo, na contribuição para o desenvolvimento da Slackware Linux, colaborando não só com esta importante ferramenta, mas também testando novas versões, localizando, reportando, e até mesmo corrigindo bugs encontrados, durante o processo de atualização da distribuição.

Esta ferramenta desenvolvida por ele facilita bastante o gerenciamento de pacotes na distribuição, pois utiliza um conjunto de diversos scripts, que controlam as ferramentas apresentadas anteriormente, e que realiza o gerenciamento dos pacotes instalados localmente, além da verificação da disponibilidade de atualizações para os pacotes instalados, ou a possibilidade de instalação de novos pacotes, através da consulta a um servidor remoto, ou mesmo uma mídia local, que venha a provê-la com as atualizações necessárias.

Por ser disponibilizada por padrão na Slackware Linux, a slackpkg provavelmente já está instalada em seu sistema, bastando então configurá-la para utilização. Para tanto, via linha de comando, utilizando o editor de sua preferência e com permissões de administrador ( root ), acesse primeiro o arquivo encontrado no seguinte caminho:

/etc/slackpkg/mirrors

Depois de aberto, localize a seção referente à versão da Slackware Linux que você utiliza no momento, e descomente a linha que aponta para o servidor de atualização mais próximo de sua localidade. Através da imagem abaixo, mostro que a penúltima linha do arquivo foi descomentada para refletir a minha escolha, onde utilizo a versão 14.1 de 64 bits da distribuição, além de mostrar que também seria possível escolher como fontes de atualização o drive de CD/DVD, ou um caminho para um diretório que contivesse os arquivos atualizados.

Visão de parte do arquivo /etc/slackpkg/mirrors

Visão de parte do arquivo /etc/slackpkg/mirrors

Note também que a primeira linha mostrada na imagem nos diz que apenas uma linha pode ser descomentada para a utilização da ferramenta, não permitindo a utilização de mais de uma fonte de consulta para atualizações. Para lidar com mais de uma fonte de acesso a arquivos, a ferramenta dispõe de um plugin, do qual falarei na terceira parte da série “Slackware Linux e…”.

Tão logo tenha descomentado a linha desejada, salve o arquivo e comece a utilização da ferramenta ainda na linha de comando, e com o mesmo nível de privilégios ( root ). Sempre utilize a slackpkg com acesso de administrador. Como primeiro passo, vamos atualizar a base de dados a ser utilizada pela ferramenta, utilizando alguns comandos a seguir:

Para atualizar as diversas listas de pacotes consultadas pela ferramenta:

# slackpkg update

Em seguida, já podemos começar a gerenciar nossas aplicações através da ferramenta, utilizando para tal, algumas opções disponíveis, como as seguintes:

Para buscar um pacote na lista atualizada ( todos os arquivos que contiverem a expressão utilizada serão listados ):

# slackpkg search nomedoarquivo

Para buscar apenas por um arquivo específico:

# slackpkg file-search nomedoarquivo

Para instalar um pacote localizado na lista atualizada:

# slackpkg install nomedoarquivo

Ao invés do nome do arquivo, você pode também utilizar apenas uma referência, e então a ferramenta irá mostrar uma lista de arquivos que sejam compatíveis com essa referência, mostrando-lhe uma lista e pedindo que confirme a instalação, ou que desmarque os pacotes encontrados que não queira instalar. Por exemplo, caso utilize o comando:

# slackpkg install n/dhcp

Este irá mostrar que os pacotes dhcp e dhcpd foram encontrados, possibilitando a opção de instalá-los ou desmarcar o que não desejar que seja instalado. Lembrando que não é possível instalar um pacote que já esteja instalado no sistema, devendo-se, então, utilizar o comando de atualização.

Para atualizar um pacote, utilizamos o seguinte comando:

# slackpkg upgrade nomedoarquivo

Esta opção permite a re-instalação de pacotes, ou a atualização destes para versões mais recentes. Da mesma forma que a opção install não atualiza pacotes já instalados, por não ser esta a sua finalidade, a opção upgrade não instala novos pacotes no sistema, devendo-se, então, utilizar as opções específicas para cada ação desejada.

Além da opção upgrade, a opção reinstall também é fornecida para os casos em que seja necessário reinstalar algum pacote. Para tal, utilize o seguinte comando:

# slackpkg reinstall nomedoarquivo

A opção remove irá remover os pacotes que atendam ao parâmetro fornecido. Por exemplo, o comando abaixo removeria todos os pacotes que tivessem kde em seu nome:

# slackpkg remove kde

 Também há a opção de marcar pacotes para que estes não recebam atualizações, ao inseri-los em um arquivo especial, através do caminho /etc/slackpkg/blacklist. Para isso, basta adicionar os nomes destes pacotes ao arquivo e salvá-lo em seguida. A partir daí estes pacotes serão ignorados durante as atualizações, mesmo que disponham de versões mais recentes. Pode-se adicionar estes nomes ao arquivo simplesmente editando-o com o editor de linha de comando de sua preferência, ou usando o comando:

# slackpkg blacklist nomedoarquivo

Lembrando que para remover o nome de um pacote, da lista contida no arquivo blacklist, é necessário editá-lo para se obter o resultado desejado, já que o comando acima apenas acrescenta nomes de pacotes ao arquivo.

Você também pode apenas querer baixar um pacote, sem que logo em seguida este seja instalado. Para esta tarefa, utilize o comando:

# slackpkg download nomedoarquivo

Pode-se querer apenas checar as informações referentes a determinado pacote, como a sua descrição, qual seu tamanho comprimido e depois de extraído, entre outras. Para essa função, utilizamos o comando:

# slackpkg info nomedoarquivo

Depois de tanto adicionar pacotes de terceiros à distribuição, pode ser que você queira removê-los, deixando a Slackware Linux apenas com os pacotes que compõem o conjunto oficial de pacotes que acompanham a distribuição, removendo todos aqueles que sejam pacotes de terceiros, sem que seja necessário que busque cada um deles, separadamente, para a devida remoção. Para esta tarefa, utilize o comando:

# slackpkg clean-system

Vale lembrar que os pacotes que estiverem listados no arquivo blacklist não serão removidos, mesmo que não sejam parte integrante dos pacotes originais da distribuição.

Para instalar novos pacotes, que sejam parte integrante da distribuição, mas que não tenham sido instalados no momento em que realizou a instalação, utilizamos o comando:

# slackpkg install-new

Este comando listará todos os pacotes que não estejam instalados atualmente em seu sistema, assim podendo selecionar aqueles que deseja instalar.

Para atualizar todos os pacotes com atualizações disponíveis, utilizamos o seguinte comando:

# slackpkg upgrade-all

Este comando é particularmente interessante quando queremos atualizar a distribuição para uma versão mais recente, mas necessita da utilização de um conjunto de comandos em sequência, e sobre os quais já falamos aqui, e que é o seguinte:

# slackpkg update

Tão logo atualize, verifique novamente o arquivo de configuração da ferramenta e selecione o repositório mais próximo de você, salvando-o em seguida, mas agora apontando para a versão mais recente da distribuição, e não mais a versão instalada atualmente. Feito isso execute os outros comandos a seguir:

# slackpkg install-new

# slackpkg upgrade-all

# slackpkg clean-system

Claro que é sempre recomendável verificar as recomendações disponibilizadas no changelog de uma nova versão da distribuição, antes de se realizar qualquer atualização deste porte, recebendo informações sobre possíveis problemas que possa enfrentar quando da realização do procedimento.

Já estamos quase terminando, e acho que não imaginava que houvesse tantas opções de utilização para o slackpkg não é mesmo? Vamos lá que falta pouco!

Depois de ter instalado a distribuição, você pode querer realizar uma nova instalação em um outro equipamento, utilizando as mesmas escolhas que fez para este sistema. Para esta tarefa utilizamos o recurso da criação de templates, que nada mais são que modelos a serem replicados. Para criar um template do sistema atual, utilize o comando:

# slackpkg generate-template

Tão logo o modelo seja criado, podemos utilizá-lo para replicar este modelo em outro sistema, utilizando o comando:

# slackpkg install-template

Durante uma instalação ou atualização de pacotes, alguns arquivos de configuração que tenha editado podem ser sobrescritos pelos que, por padrão, são fornecidos com o pacote instalado ou atualizado, fazendo com que sejam disponibilizados arquivos no sistema com a extensão “.new”. Para localizar e receber instruções sobre como tratá-los, execute o seguinte comando:

# slackpkg new-config

Finalmente, mas não menos importante, dispomos de um comando que verifica a disponibilidade de novas atualizações. Este comando é o:

# slackpkg check-updates

Pronto, agora sim terminamos, pelo menos por enquanto, pois no próximo artigo da série “Slackware Linux e…”, abordaremos um plugin que estende ainda mais as funcionalidades do slackpkg, mas que, devido às suas várias opções de configuração, mereceu que fosse tratado apenas na terceira parte dos artigos que falam sobre o gerenciamento de pacotes.

Para maiores detalhes sobre essa incrível ferramenta, acesse a documentação, através da linha de comando, que mostra o manual referente a ela:

# man slackpkg

Mais uma vez convido vocês a deixarem as suas opiniões e críticas, mas espero que estes artigos possam estar sendo úteis. Até breve!